quarta-feira, 25 de maio de 2011

EKKLÉSIA



“Também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (MT.16:18).

Apesar do jogo de palavras “Pedro e pedra”, não foi Simão, apelidado Cefas (Pedro) a pedra fundamental da Igreja de Cristo (“minha igreja”), e sim, o próprio Cristo, segundo Pedro mesmo relatou:

“Chegando-vos para ele, a Pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, afim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.

Pois isso está na escritura:

Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade, mas, para os descrentes,a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular, e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa” (1Pe.2:4-8).

Do mesmo modo, o jogo de palavras continua, quando Cristo diz aos religiosos fariseus:

“Destruí este santuário e em três dias eu o reconstruirei” (Jo. 2:21).

Cristo não falava a cercada grande obra arquitetônica, naquela época chamada de “Templo de Herodes”, mas sobre o templo que era seu próprio corpo, morada e tabernáculo de Deus. A respeito daquele templo, o de Herodes, está escrito:

“Deus não habita em templos feitos por mãos de homens” (At.7:48).

Jesus acrescenta algo interessante, ainda a respeito daquele santuário feito por mãos humanas, justamente quando um de seus discípulos mostrava grande admiração por aquela construção, pelas belas pedras usadas naquele edifício. Cito:

“Vê estas grandes edificações? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada” ( Lc.21:6).

Inacreditavelmente, em 70d.C. aquele monumental edifício, conhecido como Templo de Herodes e considerado “A Casa de Deus” foi dizimado, não restando verdadeiramente “pedra sobre pedra”, como Jesus proferiu.

Desta forma, evidencia-se, que a Igreja, a qual Jesus disse que edificaria sobre Si mesmo – A Pedra Angular – não tratava-se de um edifício feito com pedras ou tijolos, tratava-se sim, de pessoas, pessoas que crescem Nele e em Sua mensagem. Tratava-se de pessoas comuns, pecadoras, limitadas, mas que após terem crido na Mensagem, viriam a ser transformar em “pedras vivas” e “casa espiritual”. Sobre isto escreveu Paulo:

“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? O santuário de Deus, que sois vós, é sagrado. Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Agora pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 3:16,17 – 6:19).

Historicamente o homem tem acultura de institucionalizar coisas, e após determinar tais instituições, dá a elas o caráter de “sagrado” e “intocável”, que a respeito delas nada pode ser feito ou dito. Contudo, ouvindo eu um renomado jornalista nacional pelo rádio do meu carro, numa bela manhã de Deus, quando o mesmo, fazia uma reflexão, muito oportuna por sinal, sobre uma determinada instituição. Dizia ele:

“O que é a instituição, se não a somatória daqueles que a compõe?”

Partindo desse pressuposto, entendo eu, a luz das escrituras bíblicas, que a Igreja de Cristo, derivada do grego Ekklésia (Assembléia) e etimologicamente podendo significar “Alguém que é chamado para fora” (o que realça seu caráter evangelístico) não é uma instituição formal. Contudo, se mesmo assim, a quererem fazer ser, o seu valor não está ou estará no “ser igreja tal”, e sim, naqueles que a compõem, naqueles que crêem e, como comunidade ou ajuntamento de crentes, como disse Leonardo Boff: “respondem com fé à convocação de Deus em Jesus Cristo por Seu Espírito”.

A Ekklésia, não de Pedro, Não de Paulo, não de João, não do Papa, Macedo, RR, etc, mas de Cristo, é a somatória daqueles que crêem, confessando Jesus (Yeshua) como o Cristo de Deus e Salvador da humanidade, daqueles que amam a Deus acima de todas as coisas e amam o seu próximo – seja este: preto, branco, amarelo, rosa; homem, mulher, jovem, velho; hetero, homo, hibrido, frigido; judeu, grego, troiano; crente, ateu; católico, espírita, evangélico, batista, pentecostal, presbiteriano, luterano, anglicano, ortodoxo, wesleiano, macumbeiro; pagodeiro, funkeiro, roqueiro; baiano, mineiro; e tantos outros rótulos que por ai existam, mas sejam!! Os que crêem amam seu próximo, um sujeito real, com pensamentos e sentimentos, ainda que contrários “aos da fé”, mas amam esses como a eles próprios (ou pelo menos deveriam amar!).

Quando se ama assim, abrindo mão de toda forma de diferença, seja ela, genérica, étnica, política, filosófica, científica ou religiosa, avistamos o Ágape, o Amor de Deus, que é dado pelo Criador a todos os que crêem na morte sacrificial e ressurreição gloriosa do Seu Filho Unigênito. E esse Filho Único, deixou de ser unigênito para vir a ser primogênito, pois Deus deu o direito a todo aquele que no nome de Seu Filho crê, de passar de criatura, feitura de Deus para vir a se tornar filho, juntamente com Cristo Jesus. Desta forma o homem regenerado em Cristo, através do batismo de fé e confissão verbal é recebido na Família Espiritual-Celestial, tipificada em sua forma terrena pela Igreja. É válido e necessário dizer que muitos confundem essa Igreja com o um templo, seja este antigo e com caracteres bizantinos, renascentistas, góticos e barrocos ou, seja este contemporâneo adornado por placas e letreiros, luminosos ou não, apresentando nomes de homens e mulheres religiosas, e estampando imagens de grandes “empresários da fé”. Muitas dessas placas, aliás, apresentam-se como chamarizes de “ofertas da fé” em meio a um “fast benção” para uma “clientela” que acostumou-se a comprar e comer pelos olhos, pelas aparências. Jesus disse uma vez: “o povo perece por falta de conhecimento”.

É sabido que o homem visa a aparência, mas Deus sonda é o coração. Coração este que Ele anela habitar, fazer dele “templo vivo”, “morada espiritual Sua”. Coração em cuja porta, dia após dia, Ele bate e declara:

“Eis que estou a porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei em sua casa cearei com ele e Ele comigo” (AP.3:20).

O Pai quer cear contigo, quer entrar no seu coração, ainda que ele seja corrupto e esteja sujo pelas podridões desse mundo, mesmo assim, Ele bate a porta para entrar, para fazer de você “um que crê”, e uma vez crendo, edificar em ti um “templo vivo” e “uma pedra viva” do edifício espiritual chamado Ekklésia. Nesse ajuntamento solene de homens e mulheres, cheios de falhas e limitações, mas cobertos de uma glória e um amor inexplicável que vem de Deus, o qual deles não é, agora, só Senhor/Dono, mas sim, Pai.

Considerando então que a igreja não é o templo ou a instituição, entendo a luz das escrituras que ela é o Corpo. Contudo este corpo não é o meu o seu, se e tão somente se, você também for um que crê, mas se você crer como muitos mundo a fora também crêem, seu corpo, meu corpo, e o corpo de cada um deles individualmente é um santuário vivo e orgânico onde o Espírito de Deus habita ou anela habitar. No entanto, é valido relembrar o jogo de palavras pelo qual comecei a escrever este texto. No mesmo tempo que, meu corpo físico, é um templo espiritual e individual para Deus habitar com seu espírito, este mesmo corpo/templo é parte de um Corpo Maior que é a Ekkésia de Cristo, o qual é a Pedra Angular e fundador desse Edifício Espiritual. Como está ecrito:

“Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros” (Rm.12:5).

E mais:

“Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Há somente um corpo e um expírito; há um só Deus e pai de todos” (Ef. 4:4,6).

Somos nós os que crêem, ministros e sacerdotes do santuário de Deus que está em nós individualmente. Mas saibamos e lembremos que também somos parte menor de um Corpo Maior que é a Igreja, repetindo, de Cristo. Ele a comprou com o Seu sangue, ao verte-lo todo na cruz. Sangue que limpa e purifica, pela fé, os pecados dos que crêem. Por tanto, sua igreja não precisa trazer em si nenhum outro nome que não seja “o Nome que está acima de todos os nomes”. Desta Igreja Espiritual precisamos ser e fazer parte. O ser é pela fé. O fazer é por atos, como congregar e comungar.

“Não deixemos de nos congregar [como corpo] como é o costume de alguns” (Hb.10:25).

3 comentários:

  1. Esta pintura, é a segunda resultante de uma série que estou fazendo, abordando a temática EKKLÉSIA.
    Propondo um outro olhar para a Igreja de Cristo, que como citado no texto, não se trata de instituições e nem de edifícios chamados de templo, mas se trata de pessoas.
    Deus se importa com tudo e com todos neste universo criado por Ele mesmo.
    Mas seu alvo maior é o homem, sua maior criação terrena.
    E neste homem, feito a princípio de barro, Ele escolheu habitar com Seu Espírito que é Santo.
    E é de homens possuidores do Pneuma de Deus que se compõe a Ekklésia, a Igreja.
    Deus se importa com o homem!! Deus se importa com vc!!


    Acesse tbm:http://www.flickr.com/photos/dequete/5755671063/in/photostream

    Paz na Caminhada!

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  2. Graça e paz!
    Parabéns pelo seu espaço, vim conhecê-lo e já sou sua seguidora.
    Deixo o convite para que vc apareça lá no blog também.
    Forte abraço.

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  3. Paz querida!
    Valeu pelo add.
    Irei sim.
    Abçs!

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